Policiais acusados de matar a tiros jovens suspeitos de roubo vão a júri popular em Rio Preto


Julgamento será nesta quinta-feira (27), às 10h. Crime ocorreu em 2019 e policiais responderam ao processo em liberdade. Ulisses Rogério Souza dos Anjos e Lindomar Viana morreram no local. Policiais acusados de matar jovens suspeitos de roubo vão a júri popular em Rio Preto
Os quatro policiais militares acusados de matar a tiros dois jovens que foram rendidos, no dia 7 de outubro de 2019, em São José do Rio Preto (SP), vão a júri popular nesta quinta-feira (27), às 10h. Os policiais respondem ao processo em liberdade.
📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp
Célio Cordeiro dos Santos Júnior, Daril José Afonso Rita, Giovani Fanti Padovan e Thiago Trídico foram denunciados por duplo homicídio qualificado (por recurso que dificultou a defesa das vítimas). Uma das testemunhas vai participar do julgamento por meio de videoconferência.
À TV TEM, Abelardo Júlio da Rocha, advogado de defesa dos acusados, disse que os policiais agiram em legítima defesa.
O g1 questionou a Polícia Militar se os acusados continuam trabalhando nas funções, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O Comando da Polícia Militar informou que, na época, após o processo disciplinar, encaminhou os PMs para funções administrativas.
Botijão de gás roubado por quatro suspeitos foi encontrado dentro de carro em Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
Relembre o caso
No dia do ocorrido, quatro ladrões renderam um casal e a filha em uma chácara no Jardim Veneza e fugiram levando um botijão de gás e um celular. Uma hora depois do roubo, os policiais foram acionados e abordaram um carro com características semelhantes às descritas pelas vítimas.
Dois ocupantes do banco de trás desembarcaram do veículo e correram em direção ao bairro Jockey Clube. Já o motorista e o passageiro atiraram contra a polícia, que revidou. Ulisses Rogério Souza dos Anjos e Lindomar Viana foram baleados e morreram no local.
Cerca de meia hora depois, os policiais renderam Adeilton Souza da Silva, de 21 anos, e Richard Miranda Claudino da Silva, de 26. Em seguida, os jovens também foram baleados e morreram. A investigação concluiu que os dois foram executados sem oferecer resistência.
Carros da polícia e dos jovens em estrada rural na Estância Jockey Clube em Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
Além desses quatro policiais que serão julgados nesta quinta-feira, à época do crime, outros quatro PMs também foram investigados pelas mortes de Ulisses e Lindomar. No entanto, o processo foi arquivado porque a Justiça entendeu que eles agiram em legítima defesa quando a dupla, baleada e morta dentro do veículo, reagiu à abordagem.
Divergências
Durante a investigação, os policiais foram acionados para prestar depoimento e disseram que os jovens, apontados por eles como suspeitos de envolvimento no assalto, morreram durante uma troca de tiros. No entanto, foram constatadas divergências.
Na denúncia, emitida em junho de 2021, o promotor José Márcio Rossetto Leite, reforçou que o homicídio foi cometido por motivo torpe pela suposição de que as vítimas teriam participado do roubo e, por isso, seriam criminosos que “deveriam ser eliminados”.
De acordo com o promotor, a análise de imagens de segurança indica que os policiais removeram os corpos até a estrada de terra para simular um duplo confronto armado. Adeilton foi assassinado com cinco tiros e Richard com sete.
“Os denunciados detiveram e empregaram, ilegalmente, duas armas de fogo na cena criminosa, pois ficou evidente que as vítimas, quando foram assassinadas, já estavam rendidas, portanto não portavam armas de fogo”, escreveu o promotor no processo.
Armas encontradas junto aos jovens não pertenciam à Polícia Militar em Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
Ainda segundo o MP, as armas encontradas junto aos jovens não pertenciam à Polícia Militar. Dessa forma, as investigações concluíram que eram as usadas pelos suspeitos do roubo, que foram atribuídas aos jovens pelos policiais.
“Forjando uma falsa cena de agressão injusta contra suas pessoas e em prejuízo das vítimas, com o fim de induzir em erro os peritos criminais que iriam periciar o local, bem como os futuros juízes do fato”, completa o promotor.
Mudança na denúncia
No entanto, o promotor Evandro Ornelas Leal, que assumiu o processo posteriormente, informou que não há provas de que os policiais alteraram a cena do crime ou que as armas usadas para disparar contra Adeilton e Richard não pertenciam à Polícia Militar.
O promotor, então, afastou as qualificadoras de motivo torpe e crueldade, além de fraude processual e porte ilegal de arma. A decisão foi aceita pelo juíz Luis Guilherme Pião.
“Realmente as provas oral e pericial não dão suporte para a manutenção dessas qualificadoras, remanescendo apenas a qualificadora do recurso que dificultou a defesa das vítimas”, escreveu o juiz.
Tanto o promotor quanto o juiz concordam com a tese de que os acusados reagiram a disparos efetuados previamente pelas vítimas e, portanto, em legítima defesa.
Policiais militares são denunciados por morte de jovens em Rio Preto
Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba
VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM
Adicionar aos favoritos o Link permanente.