Democracia corre risco com extrema direita negacionista, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 4ª feira (26.mar.2025) que a democracia mundial corre perigo com a eleição da extrema direita negacionista. Em discurso para empresários japoneses, o petista disse que a negação da política não trará nenhum benefício para a humanidade. Criticou também o protecionismo e descrença na questão climática em alfinetadas ao presidente norte-americano, Donald Trump (republicano).

A democracia corre risco no planeta com eleição de extrema direita negacionista que não reconhece sequer vacina, não reconhece sequer a instabilidade climática e não reconhece sequer partidos políticos, sindicatos e outras coisas. E a negação da política não trará nenhum benefício para a humanidade. Inclusive, os negacionistas não querem sequer atender o cumprimento do Protocolo de Kyoto”, declarou o petista.

Na sessão de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Japão, Lula afirmou ser preciso lutar pelo livre comércio. Segundo ele, ninguém quer uma nova Guerra Fria, mas sim o multilateralismo.

Assista à íntegra do discurso (19min):

Precisamos defender muito bem e com muita força a questão do livre comércio. Nós não podemos voltar a defender o protecionismo. Nós não queremos uma 2ª Guerra Fria. O que nós queremos é comércio livre para que a gente possa definitivamente fazer com que nossos países se estabeleçam no movimento da democracia, no crescimento econômico e na distribuição de riqueza”, declarou o presidente brasileiro.

A fala pode ser considerada uma crítica velada ao comportamento de Trump, que está impondo taxas a produtos de fora para valorizar a produção interna.

Na última 4ª feira (19.mar), Lula foi mais direto ao classificar como “equivocadas e injustificadas” as tarifas norte-americanas.

“Taxar o aço e o alumínio, na forma como isso foi feito pelos Estados Unidos, não traz nada de bom para ninguém. Nosso governo considera essa uma medida equivocada e injustificada, pois afeta tanto as empresas daqui como as de lá, que trabalham há décadas em uma relação de parceria e complementaridade”, disse na ocasião.

As declarações do petista repetem o que outros integrantes do governo já afirmaram, como o ministro da Indústria e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin.

Em 13 de março, Alckmin classificou a medida de Trump como “equivocada”. Em entrevista a jornalistas, reforçou que a atitude dos Estados Unidos não foi especificamente “contra o Brasil” e afirmou que buscará dialogar com a Casa Branca sobre o assunto.

“Nós entendemos que o caminho não é olho por olho. Se fizer olho por olho, vai ficar todo mundo cego. O caminho é ganha-ganha. Comércio exterior é ganha-ganha”, disse.

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