Por que trabalhadores evitam o setor supermercadista? Especialista explica

Supermercados enfrentam dificuldades para preencher 70% das vagas essenciais. Além da baixa taxa de desemprego, a percepção sobre o setor pode afastar candidatos

O setor supermercadista enfrenta uma crise de contratação. Oito em cada dez vagas essenciais continuam abertas, segundo um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A dificuldade atinge principalmente operadores de caixa, atendentes e repositores. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (Apas), a falta de mão de obra já levou redes a adiar inaugurações de novas lojas.

O Brasil fechou 2024 com a menor taxa de desemprego da história (6,6%), e muitos jovens que antes buscavam o supermercado como primeiro emprego agora preferem o trabalho informal, pela maior flexibilidade. Além disso, a forma como os supermercados se posicionam no mercado de trabalho afasta candidatos.

Segundo Angélica Madalosso, especialista em employer branding e CEO do hub ILoveMyJob, muitos profissionais enxergam o setor como uma opção temporária, com jornadas rígidas e poucas oportunidades de crescimento. Essa percepção reduz o interesse pelas vagas, especialmente entre os novos perfis do mercado.
“Cuidar da cultura organizacional e do EVP (Proposta de Valor ao Empregado) para oferecer uma experiência enriquecedora aos colaboradores é essencial para uma estratégia robusta de marca empregadora. Essa abordagem, de dentro para fora, não só engaja e fideliza talentos, mas também impacta significativamente a etapa de atração, especialmente no fundo do funil. É aqui que talentos externos avaliam se devem aceitar uma oferta de trabalho em sua empresa, influenciados pela autenticidade que percebem internamente”, analisa.

Mesmo com um grande volume de empregos disponíveis, escalas inflexíveis, falta de atratividade e processos seletivos tradicionais afastam profissionais. Para reverter esse cenário, redes precisam reposicionar sua marca empregadora e modernizar suas estratégias de recrutamento.

O que pode ser feito para atrair mais profissionais?

Para Angélica, o problema na contratação vai além da falta de profissionais disponíveis. O setor supermercadista enfrenta dificuldades porque não se posiciona de forma atrativa para os trabalhadores.

“Se o supermercado é visto como um emprego de curto prazo, ele enfrenta dificuldades para atrair bons candidatos. As empresas que alinham suas práticas internas à proposta que comunicam ao mercado alcançam melhores resultados na atração de talentos”, explica.

O que pode ser feito para mudar essa percepção? A especialista aponta quatro caminhos:

1) Reposicionar a marca empregadora
As redes precisam ser mais claras sobre oportunidades de crescimento e a realidade do trabalho. A transparência na comunicação pode ajudar a mudar a forma como essas vagas são vistas pelos candidatos.
2) Garantir que o discurso reflita a realidade
Employer branding não deve vender uma imagem idealizada se o dia a dia da empresa for diferente. Se o supermercado promete flexibilidade, essa flexibilidade precisa existir de fatos para evitar frustrações dos talentos contratados.
3) Ampliar modelos de contratação
Se há dificuldade para preencher vagas no modelo tradicional, as redes podem oferecer horários flexíveis para atrair perfis diversos de trabalhadores, como os jovens em busca do primeiro emprego.
4) Modernizar o recrutamento
Divulgar as vagas em canais digitais e simplificar processos seletivos pode ampliar o alcance e atrair mais profissionais.

“Trabalhar a marca empregadora vai além da comunicação. É preciso criar consistência entre a experiência interna e o que é transmitido para o mercado. Employer branding não ocorre apenas de dentro para fora, mas também de fora para dentro. Se a empresa não assumir o controle da sua narrativa, sendo consistente e fazendo com que a mensagem certa chegue às pessoas certas, seus processos seletivos continuarão pouco estratégicos”, conclui Angélica.

Quem é ILoveMyJob?

A ILoveMyJob é o primeiro hub de marca empregadora do Brasil, dedicado a transformar a relação entre pessoas e empresas. Com atuação em mais de 20 empresas e a formação de mais de 1.000 profissionais em cursos especializados, a ILoveMyJob se consolidou como referência no desenvolvimento de estratégias personalizadas de employer branding.

Quem é Angélica Madalosso?

Angélica Madalosso é CEO e cofundadora da ILoveMyJob, com mais de 15 anos de experiência em Endomarketing, Comunicação Interna e Employer Branding. Formada em Relações Públicas e pós-graduada em Planejamento de Comunicação Organizacional e Marketing Digital, liderou projetos para empresas como Sicredi, GOL, CCR, Natura, Raizen, Mondelëz, Cosan, XP, iFood, Renner e OLX. Coautora do livro “A Experiência do Colaborador” (2020) e autora do livro “Employer Branding Expert” (2023), é professora, palestrante e referência no Brasil em estratégias de gestão de marca empregadora.

 

 

 

Por TG Comunicação – Assessoras de Imprensa Tais Gomes e Chris Coelho
Coluna Klug em Foco

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