Ovos e Café: O Simples Sofisticado

A Ascensão do Preço dos Ovos

Ainda não compreendi o motivo que elevou os preços dos ovos de Gallus gallus domesticus, mais conhecida no submundo do crime como Galinha. Talvez o fato de alguém com um nome pomposo ser rebaixado a algo tão pejorativo já fosse razão suficiente para boicotar os humanos. A vida das galinhas não é nada fácil—só elas sabem o quanto é difícil aguentar um marido cantando no seu pé de ouvido às quatro da manhã, sempre com o mesmo repertório, dia após dia, e ainda ter que trazer ao mundo algo tão complexo e bem acabado quanto um ovo. O preço dessa proteína chega a preocupar, especialmente se considerarmos que a Páscoa se aproxima e a coelha não vai querer ficar para trás.

O Impacto na Vida Cotidiana

Aqui em casa, o aumento do preço dos ovos afetou mais do que o orçamento. Praticamente cortamos todas as comidas que levam ovos, inclusive o bolo que tanto gostávamos de comer no café da tarde. Mas, confesso, essa ostentação plenamente instagramável nos deixaria muito expostos nas redes sociais, então a decisão foi tomada.
E falando em café, o aumento de preço também tocou esse lado da vida cotidiana. Ele, que já figurava entre os itens de desejo, agora está ao lado do ovo, da casa própria e do emprego público na lista de sonhos de consumo. Confesso que houve uma redução no consumo desses produtos, desde que minha mulher começou a fazer um jejum de quarenta dias sem tomar café da manhã.  A economia foi tão substancial que conseguimos dar entrada em uma caminhonete F-150 e fazer um lanche, com ovos e tudo, aqui no aeroporto. O que me chamou atenção foi que, ao fazer o seguro do veículo, o corretor, além das perguntas de praxe, perguntou se eu ia transportar ovos ou café no utilitário, pois, caso eu fosse, a seguradora não cobria.
E falando em justificativas para o aumento dos ovos, uma que se destaca é o clima. Eu, porém, discordo completamente disso. Sou portador de dois ovos, e eles continuam com a mesma aparência. A explicação que considero mais plausível é a influência que certas historinhas têm no mercado. Talvez seja coisa dos banqueiros, do agro, ou até dos dois juntos, mas a história de João e o Pé de Feijão, onde o gigante tinha uma galinha que botava ovos de ouro, soa mais convincente do que essa lorotinha do clima.

Uma História de Família com Ovos e Café

Agora, se você pensa que o universo dos ovos e do café é recente na minha família, estou prestes a te surpreender. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade de Parnamirim, a apenas 15 km de Natal, recebeu uma base aérea americana, o que movimentou a economia e trouxe vários benefícios para a nossa capital. Meu avô, que falava inglês e francês fluentemente, logo enxergou uma oportunidade de negócio e fechou parceria com os americanos, tornando-se fornecedor de ovos para a base aérea dos gringos. Ou seja, meu querido leitor, os ovos que acompanhavam o bacon no café da manhã deles eram os ovos do meu avô.
Agora, você pode estar pensando: “Certo, e a outra iguaria? Não vai me dizer que seu avô também trabalhou com café?”. Pois vou sim, e posso provar.
Ele instalou a primeira torrefação e moagem de café do Rio Grande do Norte, e seu registro no então Instituto Brasileiro do Café (IBC) era 001/RN, lá em 1947. Isso mostra que ele podia ser conhecido além do “veio da lancha”, como “veio dos Eggs” ou “veio do café”, deixando completamente em segundo plano Luciano Hang, que é apenas o “veio da Havan”.

O post Ovos e Café: O Simples Sofisticado apareceu primeiro em Jornal Tribuna.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.